domingo, 11 de agosto de 2013

Casal/Almas Gêmeas Part. II - Final

Ela entra, novamente em casa e sem emitir nenhum som vai para o quarto, senta-se a cama e reflete estatelada. As meninas se olham e sobem para conversar com ela.
- O que você fez? Você não podia! Por que fez aquilo? Não o ama mais? Tem outro na parada? – Milhões de perguntas bombardeiam-na inerte e tudo o que ela consegue responder chorando e com os olhos vazios é  “ainda não; Eu ainda não estou pronta...!”.
Adamastor volta para casa revoltado, quebrando presentes, joga a roupa para o lado, quebra, bagunça e suja tudo, mas nada lhe responde suas indagações.
Ele encara o grande quadro à sala de estar de seu apartamento, pintado por ele mesmo, são os dois, nus, se beijando numa nuvem de púrpura e amor.
- Por que Lucy? Só quero saber isso, o maldito Por Que! – Suas lágrimas embaçam sua visão e destroem seu ser. Pega no sono aos escombros de sua revolta.
A hora já é avançada e a noite, já solitária, pesa sobre os ombros de Lucia que ainda acordada deixa ecoar uma pergunta, abafada, de uma de suas amigas. “Não era o que queria? Não era o seu sonho?”.
É visível a confusão dela. Pobre menina, pobre alma.
Os primeiros raios de sol entram na janela e acordam Adamastor para o trabalho. Os mesmos alertam Lucia para fazer a ligação ao seu amado.
Ele vai, fúnebre e numa seriedade fria, para o chuveiro. Ela manda mensagens de desculpas e pedindo para que ele ligue assim que acordar. Mas mesmo podendo ligar ele a ignora.
As horas passam, suas amigas voltam ao seu quarto e questionam-na se já ligou para ele e cedendo a pressão ela o faz.
Ele está na rua a caminho da empresa onde trabalha ouvindo músicas tristes no fone de ouvido e se preparando para mais um dia de vida.
Lucia liga e ele rejeita, duas vezes. Na terceira ele atende com um “Oi” irritado e suave, sutil como uma espada cujo fio finda a vida de um infeliz qualquer no escuro, sombrio e silencioso da noite.
Adam está atravessando a rua e antes de Lucia se desculpar um carro que canta pneus atropela-o na Paulista. O celular, a pasta, papeis, o corpo, tudo voa pelos ares e quando ele, já sem vida, encontra-se com o chão a caixinha da aliança sai de sua pasta. Seu celular se espatifa desligando a ligação e deixando Lucia culpada e sem saber de nada.
Depois de horas de aflição chega a resposta que tanto era esperada por ela. “O que houve?” Ela se perguntava.
O telejornal responde, “Um rapaz de 25 anos, morreu atropelado na Avenida Paulista pelas 08:15 da manhã e o motorista, que ainda esta foragido, não prestou socorro. A policia procura o culpado pelo crime. O homem foi identificado como Adamastor Cardoso, um artista plástico em início de carreira e uma carreira que estava crescendo absurdamente pelo seu talento.”.
Um nó dá-se a sua garganta e seu coração aperta-se procurando refúgio, seu rosto se banha por uma fatalidade que, sabe-se Deus se, poderia ter sido evitada.
As lágrimas de seu luto destroem a mulher que um dia foi e faz com que ela me abrace. Eu, por minha vez, abraço-a com meus tentáculos pegajosos e acolho sua decisão levando-a até o fio de sua vida, onde ela mesma, com uma tesoura de ouro branco e diamantes corta e finda-se.

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