domingo, 7 de julho de 2013

Sonhando acordado

Desço a serra numa lata velha precária e enferrujada. O motor faz mais barulho do que meus fones podem abafar com a música alta, mas isso não me desloca do meu mundo aquém de tudo isso.
Olho a o caminho escuro e escondido pela mata. De repente, sem me surpreender, vislumbro a baixada e minha cidade dos sonhos com milhões de luzinhas brilhando como uma árvore de natal. Toda a silhueta escondida pela noite e pela distancia com milhões de pontinhos luminosos de todas as cores imagináveis e inimagináveis. Tudo embaçado pelas lágrimas que teimam em rolar, silenciosamente de meus olhos cansados. Não as enxugo e sim, deixo-as escorrerem pelo meu rosto, molhando-me, deixando um rastro da minha dor, esfriando e me gelando a pele e a alma.
As janelas estão abertas e o casaco está fechado até em cima, o capuz posto e os fones com música alta. O vento frio que entra corta meu rosto e enrijece minha pele morena.
Meu coração se aperta em sua cavidade e a dor só aumente a cada curva descendo e cada vez que consigo ver a cidade maravilhosa iluminada no breu da minha vida.
UM SONHO. Nada mais que isso? Um sonho?
Luto e reluto com minhas lembranças. Reminiscências inconvenientes sempre foram o meu forte. As lembranças de um passado doloroso me dói como se estivesse acontecendo agora.
"Como passei por isso de cabeça erguida? Como pude?" Pergunto-me relutante.
As forças para lutar vem e vão e não consigo vencer-me.
Tento me animar, tento me acordar. Mas não consigo sair desse sonho real. É como quando estamos tendo um pesadelo e ao meio do sonho descobrimos que não passa de um sonho e tentamos acordar, mas não conseguimos desligarmo-nos da dor.
Deixo as lágrimas rolarem e compartilho minha dor com amigos por sms, compartilho comigo mesmo coisas que não posso dizer e compartilho com as letras que falam o que a boca não pode ousar proferir. E em meio toda dor e aflixão que só sabe se adensar sou surpreendido com uma mensagem simples e boba que me lembra do meu princípio mais básico e "alicercico". "Sonho, vale a pena sonhar. Sonhe até o dia que você não consiga mais acordar e sua vida seja um perpétuo sonho."
As lágrimas não cessam, porém já não me doem mais. As lágrimas persistem em rolar, mas a dor aliviou e se tornou forças para que continue lutando pelos meus sonhos que persistem em continuar ecoando em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário