
Na vida houveram feridas, feriadas profundíssimas, que demoraram muito para cicatrizar.
Quando tais cicatrizaram ficaram marcas terríveis, não marcas na carne, mas sim na alma.
As marcas na carne desapareceram, mas não doeram tanto quanto doem as da alma.
O tempo me ajudou a esquecer as feridas que nem doíam mais.
Um, uma imagem, uma palavra, um, o necessário para me desabar.
As feridas se abrem novamente e sangram, pouco, mas o pouco que sai já basta para sujar o que estava limpo.
Para novamente limpar é difícil.
Com ajuda eu limpo, mas demora um tempo para a dor desaparecer.
Talvez nem desapareça, talvez fique, fique para sempre.
O que farei
Vou me largar, soltar-me na lama.
As feridas todas, todas se abrem, em unanimidade, poucas se permanecem fechadas.
Fico empapado, de sangue vivo, me inundo.
Quando caio em mim, á tarde.
Elas param de sangrar, mas não de doer.
Por que a dor não é imediata?
POR QUE???
As feridas fechadas se abrem, e me empapo de sangue e lágrimas.
Vem espírito de Deus, lava-me, abra-me para o Pai.
As portas estão fechadas, me vejo no abismo, no escuro da morte.
Um feixe de luz aparece no fundo.
Fico com medo de segui-la, mas não tenho outra opção além de segui-la.
Saio de lá.
Perdão, Senhor, quero nunca mas voltar lá!
Será?
Não posso ter interrogações...
?
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