quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sexta da Paixão


Após uma grande aflição, uma dor imensurável, hoje é o dia, dia de vitória.
Mas porque devo falar de sua vitória agora, o mestre ainda está no sepulcro, ainda não voltou da morte.
Grande dor eu senti ontem, dia silencioso e meio triste não me deixei contagiar por tal tristeza, por tal aflição, minhalma chorava e sofria, mas forçava-me alegrar.
Conversando e rezando não me deixava abater pela tristeza de sua prisão, pela tristeza que ainda ia de vir às 3 horas.
Durante a via-sacra, toda estação sentia o arrepio do apelo de minhalma, apelo pela tristeza, apelo pela dor, apelo que dizia “Deixe-me ser livre, Felipe, liberta-te e rejubila-te e se entregue ao seu mestre amigo!”, mesmo com tudo que vi não me deixei abater.
Fui para casa, almocei e descansei até as 2 horas, as duas na igreja fui ajudando a quem precisava dela e me entregando involuntariamente para a celebração da santa cruz.
A cada leitura eu me via olhando face a face com Jesus, na primeira leitura do profeta Isaías, “ – tão desfigurado ele estava que não parecia ser homem ou ter aspecto humano -”, “Não tinha beleza nem atrativo para olharmos, não tinha aparência que nos agradasse.”, essas foram as palavras de Isaías antes de sequer Jesus nascer, e assim ontem eu o vi, uma chaga viva, não se conseguia distinguir homem de ferida, não se conseguia distinguir pele, suor, lágrima, cabelo, sangue. Dava para se ver seus ossos e assim estava meu melhor amigo, por mim, e assim estava, mas não com uma feição triste, olhava-me sério mas me amava com seus olhos, fazia-me grande perto de suas feridas e isso me deixava triste e doía meu coração.
Logo depois veio o salmo e me dava uma sensação de pedir perdão, apesar de ser esse ou não o intuito do salmo.
Na segunda leitura veio São Paulo com suas suaves, acolhedoras e dolorosas palavras, dizendo, força, ele conseguiu, por nós, para que hoje conseguirmos lutar e vencer satanás.
E logo depois a apunhalada, a palavra que deu um nó em minha garganta e travou minha fala em um suspiro. O Evangelho segundo São João!
A cada palavra tola e de desprezo ao pobre e meu melhor amigo era um chibatada em minhas costas, era um tapa em meu rosto, era um escarro em minha face em meio de minhas lágrimas.
Logo com o decorrer das palavras de São João e as respostas do povo, a tristeza de Jesus em meu coração era abafada por meus pecados, era abafada pela minha soberba.
Apesar de uma grande e belíssima Homilia de Jesus a nós, não consegui absorver tudo, não consegui sequer ouvir tudo. Acabei a cada 1 minuto cochilando e acordando em pequenos fragmentos de tempo, por meu cansaço. Cansaço de acordar as 2 da manhã para ir à vigília até as 5, cansaço de sem dormir direito as 6:30 estava de pé me preparando para à via-sacra as 8, cansaço que me fez não aproveitar a sexta da paixão, mesmo cansaço que me fez e faz pecar por muitas vezes.
Mas à quase no final da Homilia, no momento de silêncio onde Jesus morre eu senti a mesma lança que perfurou o coração de Jesus atravessar minhalma, a mesma espada de dor que transpassou o coração de Maria santíssima.
Em sequência tornei a não sentir nada, mas agora forçava-me a me humilhar para que eu descesse de minha soberba tremenda e pudesse sofrer olhando olho a olho, face a face, coração a coração, chaga a chaga.
E assim foi até o início da adoração da Santa cruz...
“EIS O LENHO DA CRUZ...”
... ao início da adoração da santíssima cruz não sentia nada surpreendente, só me sentia como uma criança, me via como uma criança, uma pequena criança que a traz de muitos adultos altos e frios, queria por toda vontade ver o que lhe havia acontecido.
Vi-me em uma situação que à nunca ter acontecido comigo eu sentia e vivi até o Senhor me chamar para adorá-la.
Era uma pequena criança que estava alegre ao brincar de bola em um grande campo com meu melhor amigo, à bola rolar desordenadamente ao meu sentido e eu não conseguir pegar fui até ela, logo me vi em uma estrada, muitos carros, muitas pessoas, todas bem sérias e muitas falando, algumas crianças abraçadas à seus pais e chorando de susto, não sei, quando ia me aproximando ao núcleo da situação vi um pequeno circulo em volta de algo que eu queria por toda vontade ver, por simples curiosidade. E ao caminhar em volta daquela multidão vi uma mão familiarmente ferida. – Foi então quando eu senti a dor em meu peito (NÃO, não é possível) – Tinha por tudo que era sagrado ver o que tinha ali ocorrido.
Depois de muito relutar abriram entrada em uma fila enorme de grandes pessoas alto-suficientes e frisas sendo desmoronadas pela dor daquela ocasião. – Foi quando entrei na fila da adoração – E ao longe vi meu melhor amigo estirado no chão todo ferido, o mesmo amigo com que antes estava brincando, e corri sem nunca chegar.
Quando cheguei até ele, não conseguia acreditar, meu pequeno e forte amigo ali destruído por mim.
Ai toda fantasia que Jesus me proporcionou para entender aquela ocasião que ali estava havendo se desmoronou e me fez ver a verdade, o homem que estava ali do meu lado todo o tempo, morto por meus pecados.
Em lágrimas intermináveis eu beijei sua chaga, a chaga de seus pés, a mesma que hoje eu vejo em mim, e assim com os mesmos lábios que beijaram a chaga beijei o madeiro que me livra do mal.
Saí da igreja aos prantos, “Meu amigo, meu melhor amigo, hoje morto, por mim. Deus leva-me, não deixe o morrer.”, mas, já era tarde.
Com paciência fui me acalmando e assim vivi o dia e assim que você também possa viver seu dia de sexta da paixão, eu só faço um apelo, que no ano que vem você mais que eu, deixe-se apaixonar por esse homem que morreu por você e por seus pecados, toma-te suas chagas e alivia a dor de Jesus.
Apaixona-te por esse homem que tanto vos amou, amou tanto que se entregou em seu lugar, se deixou ser culpado por erros que ele mesmo não cometeu!
Entrega-te, ama-o, viva-o!
Amém!

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